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Porãbask conquista Jebs e homenageia Oscar Schmidt na final

Equipe de Mato Grosso do Sul, beneficiada pelo apoio do 'Mão Santa', emocionou-se com a notícia de seu falecimento minutos antes da decisão.

18/04/2026 às 15:52
Por: Redação

A equipe de basquete masculino Porãbask, de Ponta Porã (MS), alcançou um feito inédito ao conquistar o título sub-18 dos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs) em Brasília, em uma noite marcada por forte emoção. Apenas dois minutos antes de entrar em quadra para a final, os jovens, que representavam Mato Grosso do Sul, foram informados da morte do ex-jogador Oscar Schmidt, o “Mão Santa”, figura central na viabilização do projeto social que lhes permitiu competir.

 

Para o grupo de atletas e para o treinador Hugo Costa, de 59 anos, Oscar Schmidt era mais do que um ícone esportivo visto na televisão ou em computadores; ele foi o grande responsável por transformar a iniciativa, que antes operava com estrutura precária, em um programa sólido com ginásio próprio, há 19 anos. A notícia do falecimento do ídolo se somou à intensidade da final contra a equipe que representava São Paulo, criando um clima singular em quadra.

 

Apesar da mistura de sentimentos, a vitória veio com o placar de 74 a 63, garantindo ao Porãbask o lugar mais alto do pódio pela primeira vez. Com os olhos marejados, o treinador Hugo Costa recordou a fundação do projeto, que ele mesmo iniciou em 2004 sob o nome de “Meninos do Terrão”, devido à quadra improvisada no Jardim Irene, área periférica da cidade.

 

Do Campo Improvido ao Ginásio Homenageado

 

A aproximação de Oscar Schmidt com o projeto ocorreu em 2007, quando o ex-jogador proferiu palestras na cidade. Hugo Costa, que era um admirador fervoroso do “Mão Santa”, logo desenvolveu uma amizade com ele. Oscar passou a oferecer incentivo contínuo para que a quadra improvisada se transformasse em uma estrutura coberta e adequada, buscando ativamente recursos para o projeto em todas as suas aparições públicas. Ele auxiliou na aquisição do terreno e na construção do ginásio, que hoje leva seu nome em homenagem.

 

Nós disputamos mais de 20 jogos escolares. Sempre chegamos perto. Foi a primeira vez que fomos campeões. Que seja uma homenagem a ele.

 

Transformando a Periferia Através do Esporte

 

Conforme Hugo Costa, Oscar transmitiu a lição da obstinação para alcançar objetivos. O treinador destacou a crença do ídolo de que o basquete não se restringe a um determinado grupo social ou local, desafiando a percepção de que “basquete não seria para pobre” ou para a periferia. “O Oscar ensinou para a gente que é possível fazer basquete em qualquer lugar”, afirmou.

 

Mais do que formar atletas, o projeto visa principalmente o desenvolvimento humano, um objetivo que tem sido amplamente alcançado. Ex-participantes hoje atuam em diversas profissões, incluindo educação física e medicina, e Hugo Costa mantém contato com todos eles. Ele ressaltou que a presença do clube transformou a comunidade, tornando-a um polo esportivo.

 

Para o treinador, a função do profissional de educação física é fundamental: “Acho que o papel do profissional de educação física é este: educar a criança por meio do esporte para que seja responsável e disciplinada. O esporte pode ensinar isso”.

 

Emoção no Pódio e Planos Futuros

 

Ao subir no pódio, Hugo Costa relembrou a dedicação aos treinos, o tempo longe da família e a importância de seu papel como educador. Ele enfatizou aos jovens que aquele momento seria inesquecível e que o legado da vitória seria transmitido às futuras gerações.

 

O estudante Rafael Cardozo, de 17 anos, que cursa o terceiro ano do ensino médio, direcionou seus primeiros pensamentos à mãe, que o cria sozinha junto ao irmão mais novo, logo após o apito final. Ele conseguiu avisá-la rapidamente e a abraçou, expressando sua gratidão por tudo. Rafael planeja cursar gestão hospitalar na faculdade e manter o basquete como lazer, almejando “chegar lá no topo” com muito esforço. A morte de Oscar Schmidt o comoveu, pois “sabemos como ele era importante para o Brasil e para o nosso projeto”.

 

Também profundamente tocado pela ocasião estava Samuel Menezes, pivô de 17 anos e cestinha da partida, com 30 pontos. No terceiro ano do ensino médio, Samuel sonha em ingressar no curso superior de educação física e permanecer no universo esportivo.

 

Alegria Após a Homenagem

 

No pódio, Samuel refletiu sobre os treinos diários e o empenho coletivo. Ele abraçou cada um dos amigos com a medalha no peito e ligou para os pais, a mãe, que é dona de casa, e o pai, que trabalha como ourives. O jovem recordou a notícia do falecimento do seu ídolo e mencionou que frequentemente assiste a jogos antigos de Oscar pela internet.

 

Com um sorriso, Samuel declarou: “Só temos a agradecer a ele. Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”. Após a emocionante vitória, a quadra, antes em silêncio, foi preenchida por sorrisos e celebração, marcando o fim de uma jornada repleta de significados.

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