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Copom avalia corte na Selic enquanto conflito no Oriente Médio pressiona inflação

Mercado espera redução de 0,25 ponto na Selic, mesmo com cenário de guerra elevando preços

29/04/2026 às 22:49
Por: Redação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza, nesta quarta-feira, 29, sua terceira reunião de 2026 para definir o futuro da taxa básica de juros do país, em meio a um cenário de instabilidade provocado pela guerra no Oriente Médio e pelo avanço da inflação. Mesmo diante da elevação dos preços do petróleo, o mercado financeiro acredita em um novo corte de juros, o segundo consecutivo.

 

A taxa Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano, havia permanecido em 15% entre junho de 2025 e março deste ano, atingindo o maior patamar em quase duas décadas.

 

A decisão sobre a nova taxa será divulgada no início da noite, em uma reunião marcada por ausências na diretoria do Banco Central. Os mandatos do diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e do diretor de Política Econômica, Paulo Pichetti, terminaram no final de 2025. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional os nomes indicados para substituir ambos.

 

Outro desfalque atinge a diretoria do BC nesta reunião, já que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, se afastou do encontro por motivo de falecimento de um parente de primeiro grau, conforme anunciado pelo Banco Central na terça-feira, 28.

 

Na ata da última reunião, realizada em março, o Copom deixou em aberto a possibilidade de seguir reduzindo os juros. O Banco Central comunicou que, devido ao conflito no Oriente Médio, a magnitude e o ritmo de ajustes na Selic deverão ser calibrados ao longo do tempo, à medida que novas informações forem consideradas nas análises do Comitê.

 

De acordo com a edição mais recente do boletim Focus, que reúne projeções de analistas do mercado financeiro, é esperada uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica, levando a Selic para 14,5% ao ano.

 

Pressão inflacionária intensificada

A evolução da inflação permanece incerta. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), indicador prévio da inflação oficial, registrou aceleração para 0,89% em abril, resultado influenciado principalmente por combustíveis e alimentos. No acumulado de doze meses, a inflação atingiu 4,37%, acima dos 3,9% verificados em março.

 

Segundo o último boletim Focus, a expectativa dos analistas é que a inflação em 2026 alcance 4,86%. Este valor ultrapassa o teto da meta contínua definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que estabelece o centro da meta em 3% e permite variação de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.

 

Entenda o papel da taxa básica de juros

A Selic serve como referência para as negociações de títulos públicos federais emitidos pelo Tesouro Nacional e influencia as demais taxas de juros da economia. O principal objetivo do Banco Central ao definir essa taxa é controlar a inflação. Para isso, a instituição realiza operações diárias de mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos para manter os juros próximos ao valor estabelecido pelo Copom.

 

Quando o Comitê opta por elevar a Selic, o objetivo é esfriar a demanda, tornando o crédito mais caro e incentivando a poupança, o que pode conter a alta dos preços. Por outro lado, juros mais altos podem dificultar o crescimento econômico. Além da taxa básica, os bancos consideram fatores como risco de inadimplência, margem de lucro e despesas administrativas para definir os juros cobrados dos clientes.

 

Já quando o Copom reduz a Selic, há tendência de crédito mais acessível, incentivando a produção e o consumo e, assim, estimulando a atividade econômica, o que pode reduzir o controle sobre a inflação.

 

O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e internacional, assim como o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Comitê, compostos pela diretoria do Banco Central, discutem as alternativas e definem a taxa Selic.

 

Nova forma de acompanhar a meta de inflação

Desde janeiro de 2025, vigora o modelo de meta contínua para a inflação, determinado pelo Conselho Monetário Nacional. Nesse novo sistema, a meta a ser perseguida pelo Banco Central é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, estabelecendo um limite inferior de 1,5% e um superior de 4,5%.

 

A principal diferença desse modelo é a apuração mensal da meta, levando em conta a inflação acumulada em 12 meses. Por exemplo, em abril de 2026, analisa-se o índice registrado desde maio de 2025; em maio, o cálculo passa a considerar o período a partir de junho de 2025, e assim por diante. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não sendo mais limitada ao índice fechado em dezembro de cada ano.

 

No último Relatório de Política Monetária, publicado pelo Banco Central no final de março, a projeção para o IPCA em 2026 foi revisada de 3,5% para 3,6%. O documento também destaca que essa estimativa poderá ser revista novamente caso o conflito no Oriente Médio se estenda. O próximo relatório, que substitui o antigo Relatório de Inflação, será divulgado ao final de junho.

 

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