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Setor produtivo pede redução maior na taxa Selic após decisão do Copom

Corte de 0,25 ponto na taxa de juros é considerado insuficiente por indústrias, comércio e sindicatos

30/04/2026 às 11:06
Por: Redação

Após o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) de uma diminuição de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, representantes da indústria, comércio e sindicatos afirmaram que o corte promovido foi aquém do necessário e permanece insuficiente para estimular investimentos, consumo e geração de renda.

 

A taxa Selic passou de 14,75% para 14,50% ao ano. Mesmo com essa redução, as entidades do setor produtivo e representantes dos trabalhadores consideram que o patamar dos juros continua elevado, o que, segundo avaliação, segue impactando negativamente o desempenho econômico do país.

 

Reações da indústria à decisão do Copom

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que o corte promovido foi pouco expressivo e mantém o crédito em um nível considerado alto. Para a entidade, essa manutenção de juros em patamares elevados dificulta a realização de investimentos e afeta a competitividade das empresas industriais.

 

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.


 

A CNI também ressaltou que tanto empresas quanto famílias vêm enfrentando deterioração financeira. O endividamento desses dois segmentos bate recordes sucessivos, o que, segundo a confederação, agrava a saúde financeira da economia como um todo.

 

Comércio destaca impactos no crédito e nos investimentos

 

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também se manifestou insatisfeita com o percentual de redução da taxa de juros. Para o economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, o Banco Central já poderia ter adotado um ritmo mais acelerado de flexibilização monetária desde a reunião anterior do Copom.

 

Segundo Queiroz, o atual patamar da Selic afeta negativamente a atividade econômica, aumentando os casos de empresas em recuperação judicial, elevando o nível de endividamento das famílias e, consequentemente, encarecendo o serviço da dívida.

 

A APAS também salientou que o ambiente de juros altos favorece o capital especulativo em detrimento dos investimentos produtivos, prejudicando o setor que gera emprego e renda.

 

Sindicatos criticam ritmo da queda dos juros

 

Entidades que representam trabalhadores do sistema financeiro também expressaram insatisfação com a decisão do Copom. Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT), a política monetária aplicada atualmente repercute diretamente na renda da população.

 

“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.


 

Juvandia Moreira enfatizou ainda que a Selic influencia todo o sistema financeiro, pois quando a taxa aumenta, o custo do crédito também sobe, e quando diminui, o crédito se torna menos caro. Entretanto, segundo ela, a redução anunciada não foi suficiente para aliviar esse cenário.

 

A Força Sindical também se posicionou de forma crítica à decisão do Copom, classificando o corte como insuficiente e ressaltando que os juros elevados seguem impactando negativamente a economia nacional.

 

Em nota, a central sindical afirmou que o corte foi tímido e não alterou substancialmente o nível alto dos juros praticados.

 

Para a Força Sindical, a política de juros altos limita o crescimento econômico, desestimula investimentos, reduz a produção e prejudica diretamente a geração de empregos e de renda.

 

A entidade também relacionou o alto endividamento das famílias brasileiras ao custo elevado do crédito no país.

 

Unanimidade por aceleração nos cortes da Selic

 

Apesar de atuarem em segmentos distintos da economia, as entidades consultadas compartilham a visão de que existe possibilidade para uma diminuição mais rápida da taxa básica de juros.

 

Tanto indústria, quanto comércio e representação dos trabalhadores apontam que o atual patamar da Selic ainda impõe restrições importantes à expansão econômica, ao acesso ao crédito e ao consumo em âmbito nacional.

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