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Papa Leão XIV condena líderes que justificam guerras com religião

Pontífice norte-americano repudia uso da fé para legitimar conflitos armados e pede mudança global.

16/04/2026 às 19:45
Por: Redação

Durante passagem por Camarões nesta quinta-feira, dia 16, o papa Leão XIV fez críticas contundentes a governantes que optam por investir grandes somas em conflitos armados, afirmando que o planeta está sendo "devastado por alguns tiranos". O pronunciamento ocorreu pouco após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltar a atacá-lo em redes sociais.

 

Em seu discurso, Leão XIV, primeiro papa nascido nos Estados Unidos, também criticou dirigentes que utilizam argumentos religiosos como justificativa para promover guerras e solicitou uma "mudança decisiva de direção". A declaração foi feita durante encontro em uma das maiores cidades das regiões que falam inglês em Camarões, cenário de um conflito prolongado que já perdura por aproximadamente dez anos e resultou em milhares de mortes.

 

"Os mestres da guerra fingem não saber que é preciso apenas um momento para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir", declarou o pontífice.


 

Leão XIV afirmou que bilhões de dólares têm sido utilizados para financiar mortes e destruição, enquanto faltam recursos para áreas como saúde, educação e recuperação de estruturas afetadas por guerras.

 

As críticas de Trump a Leão XIV começaram ainda no domingo, dia 12, quando o presidente norte-americano classificou o papa como "fraco sobre crime e péssimo para a política externa" em publicação no Truth Social. Os ataques continuaram na terça-feira, dia 14, e na quarta-feira, com Trump compartilhando uma imagem de Jesus abraçando-o. Essa postagem sucedeu outra na qual Trump se representava como figura semelhante a Jesus, gerando reações negativas em diversos setores.

 

Leão XIV, que manteve postura discreta durante a maior parte de seu primeiro ano à frente da Igreja Católica, passou a se posicionar publicamente nos últimos meses como crítico do conflito iniciado após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. O papa reforçou sua oposição a líderes que evocam temas religiosos para legitimar ações bélicas.

 

"Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seu próprio ganho militar, econômico e político, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a sujeira", afirmou Leão XIV.


 

De acordo com o papa, o cenário mundial encontra-se em situação de inversão de valores, caracterizando uma exploração da criação de Deus, situação que, segundo ele, precisa ser rejeitada por todas as pessoas de consciência honesta.

 

No mês anterior, Leão XIV também se manifestou sobre o tema, alegando que Deus não aceita as orações de chefes de estado cujas "mãos estão cheias de sangue". O comentário foi amplamente entendido como direcionado ao secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que utilizou linguagem cristã para justificar ações militares no Irã.

 

Os ataques recentes de Trump a Leão XIV, intensificados nos dias que antecederam a viagem de quatro países pela África, provocaram inquietação no continente africano, onde reside mais de um quinto dos católicos mundiais.

 

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