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Salário médio do trabalhador brasileiro atinge novo recorde e chega a 3.722 reais

País alcança maior rendimento médio desde 2012, com massa salarial e participação previdenciária recordes

01/05/2026 às 02:16
Por: Redação

No primeiro trimestre de 2026, o rendimento médio mensal dos trabalhadores no Brasil foi de 3.722 reais. Esse patamar representa uma elevação real de 5,5% em comparação ao mesmo intervalo de 2025, já descontados os efeitos da inflação. Este é o valor mais elevado já obtido desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, que começou em 2012.

 

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o rendimento médio ficou acima do patamar de 3,7 mil reais pelo segundo trimestre consecutivo. No trimestre encerrado em fevereiro de 2026, o valor era de 3.702 reais. Já em relação ao quarto trimestre do ano anterior, quando o rendimento foi de 3.662 reais, houve incremento de 1,6%.

 

A pesquisa mensal do IBGE considera dez grupos distintos de atividades econômicas. Entre essas categorias, oito registraram estabilidade no rendimento médio, sem variação estatisticamente significativa. Nos demais dois grupos, houve aumento: o setor de comércio apresentou crescimento de 3%, equivalente a mais 86 reais, enquanto a administração pública registrou elevação de 2,5%, o que representa 127 reais a mais.

 

Impacto do salário mínimo e composição do rendimento

 

Segundo avaliação de Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, uma parcela do aumento observado no rendimento recorde pode estar relacionada ao reajuste do salário mínimo efetuado no início de janeiro, quando o valor foi fixado em 1.621 reais.

 

“Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais [acima da inflação].”


 

Além desse fator, a redução no número de pessoas ocupadas também influenciou a elevação do rendimento médio. No primeiro trimestre de 2026, houve diminuição de um milhão de trabalhadores ocupados em comparação com os três meses finais de 2025. Essa redução foi mais acentuada entre profissionais informais, cujo rendimento habitual é inferior ao dos trabalhadores formais.

 

Adriana Beringuy explicou que, com a diminuição desse contingente de informais, a média geral do rendimento dos ocupados aumentou no primeiro trimestre de 2026 em relação ao último trimestre do ano anterior.

 

Massa salarial e destino da renda

 

A pesquisa do IBGE apontou que a massa de rendimento dos trabalhadores, ou seja, a soma de todos os salários pagos no país, alcançou 374,8 bilhões de reais. Esse montante também representa um recorde na série histórica, sendo o maior já apurado até então.

 

O valor total da massa salarial é utilizado, entre outras finalidades, para consumo, pagamento de dívidas, realização de investimentos e formação de poupança por parte dos trabalhadores. Em comparação ao mesmo período de 2025, houve um acréscimo de 7,1% acima da inflação, o que corresponde a 24,8 bilhões de reais a mais circulando entre os trabalhadores em apenas um ano.

 

Contribuição previdenciária e proteção social

 

No primeiro trimestre de 2026, a proporção de pessoas que contribuíam para a previdência alcançou 66,9% entre os trabalhadores ocupados, segundo o levantamento do IBGE. Esse percentual, o mais elevado já registrado, corresponde a 68,174 milhões de indivíduos com algum tipo de proteção social garantida.

 

Com a contribuição a institutos de previdência, os trabalhadores têm acesso a benefícios como aposentadoria, auxílios em caso de incapacidade e pensão por morte. O levantamento considera como contribuintes todos os empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e autônomos que efetuaram recolhimento para órgãos oficiais federais (como o INSS ou o Plano de Seguridade Social da União), estaduais ou municipais.

 

Adriana Beringuy atribui o crescimento na participação dos contribuintes à diminuição da informalidade. Ela ressalta que trabalhadores informais, por definição, contribuem menos para o sistema previdenciário.

 

No trimestre encerrado em março, a informalidade atingiu 37,3% do total de ocupados, o que equivale a 38,1 milhões de trabalhadores em situação sem garantias trabalhistas formais. Ao final de 2025, esse índice era de 37,6% e, no primeiro trimestre de 2025, de 38%.

 

O IBGE esclarece que, mesmo entre os informais, um trabalhador por conta própria sem CNPJ, por exemplo, pode optar por contribuir individualmente para o INSS.

 

Desempenho do emprego no país

 

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua serve como principal instrumento para análise do mercado de trabalho brasileiro, abrangendo as condições de ocupação de pessoas com 14 anos ou mais, independentemente das formas de contratação, incluindo vínculos com ou sem carteira assinada, trabalho temporário e atividades por conta própria.

 

Durante o primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação ficou em 6,1%, sendo este o menor patamar já registrado para esse período. Conforme os critérios do IBGE, considera-se desocupada apenas a pessoa que buscou emprego nos trinta dias anteriores à pesquisa. O levantamento visita 211 mil domicílios distribuídos por todos os estados do país e pelo Distrito Federal.

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