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Lula critica ameaças de Trump e questiona postura dos EUA diante de outros países

Presidente defende respeito à soberania e critica bloqueios econômicos dos EUA contra Irã, Cuba e Venezuela

17/04/2026 às 01:00
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou novas críticas à política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao abordar as relações dos EUA com países como Irã, Cuba e Venezuela. Lula destacou que nenhuma nação possui o direito de ameaçar outros países com os quais discorda, colocando em questão a legitimidade da Casa Branca em adotar tal postura.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

Durante uma entrevista concedida ao jornal espanhol El País, publicada na quinta-feira (16), Lula comentou sobre recentes ameaças de Trump ao Irã, incluindo a possibilidade de cometer genocídio caso não fossem aceitos os termos americanos para encerrar o conflito no Oriente Médio. O presidente brasileiro fez menção também às ações de Trump frente a Cuba e Venezuela.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou.


 

Na avaliação de Lula, há carência de lideranças globais dispostas a assumir a responsabilidade de compreender que o planeta não pertence a apenas uma nação. Ele salientou que, independentemente da relevância de determinado país, é fundamental que os mais influentes se comprometam com a manutenção da paz mundial.

 

Possibilidade de conflito global e críticas à política de intervenção

 

Lula tratou sobre o potencial impacto de uma terceira guerra mundial decorrente das práticas intervencionistas de Trump em diferentes países. Ele alertou para consequências devastadoras de um conflito dessa magnitude, classificando-o como uma tragédia de proporções muito superiores às da Segunda Guerra Mundial.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.


 

Questionado se acredita na possibilidade real de um novo grande conflito, Lula respondeu que existe essa chance caso persista a visão de que qualquer país pode agir livremente contra outros sem considerar as consequências.

 

“Se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”, afirmou Lula.


 

Condenação ao bloqueio a Cuba e comparações com o Haiti

 

Lula também se manifestou contrário ao bloqueio energético intensificado pelos EUA sobre Cuba, que se soma ao embargo econômico vigente há quase 70 anos. Ele classificou o país caribenho como importante para o Brasil e questionou a razão de haver tamanha restrição por tanto tempo.

 

O presidente brasileiro questionou por que, caso exista preocupação verdadeira com o povo cubano por parte dos críticos do regime, não há a mesma atenção com o Haiti, que não adota o sistema comunista, mas enfrenta sérias dificuldades econômicas e sociais há décadas, incluindo o controle de Porto Príncipe por gangues armadas.

 

Lula ressaltou que Cuba necessita de oportunidades para superar sua crise interna e indagou sobre as condições de subsistência de um país impedido de receber alimentos, combustíveis ou energia devido às restrições impostas.

 

Posicionamento sobre eleições na Venezuela e autonomia do país

 

Em relação à Venezuela, Lula afirmou que a orientação do governo brasileiro era pela realização das eleições marcadas para julho de 2024, enfatizando que o resultado deveria ser respeitado, permitindo o restabelecimento da paz no país vizinho.

 

O presidente acrescentou que não cabe aos Estados Unidos administrar questões internas da Venezuela.

 

Questões comerciais e relação bilateral com os EUA

 

A respeito das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras, entre abril e agosto de 2025, Lula recordou o que declarou a Trump durante encontro entre ambos: não buscaria concordância ideológica, pois considera que chefes de Estado devem priorizar interesses nacionais acima de posicionamentos políticos.

 

Após negociações entre os governos brasileiro e norte-americano em novembro de 2025, houve retirada da tarifa de 40% sobre diversos produtos do Brasil, como café e carne, por parte dos EUA. Em fevereiro do ano seguinte, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou a aplicação do tarifaço imposto por Trump a dezenas de países, atendendo a solicitações de empresas americanas prejudicadas pelas medidas.

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