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Lula anuncia reciprocidade após delegado brasileiro ser expulso dos EUA

Presidente exige resposta proporcional à decisão dos EUA após episódio envolvendo prisão de ex-deputado Ramagem.

21/04/2026 às 17:08
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira, durante agenda oficial na Alemanha, que o Brasil adotará medidas de reciprocidade em resposta à decisão do governo de Donald Trump de solicitar a saída de um delegado da Polícia Federal brasileira do território dos Estados Unidos. O policial foi envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em solo americano.

 

Ao ser questionado por jornalistas sobre o episódio, Lula declarou que foi informado da situação somente na manhã do mesmo dia. O presidente deixou claro que, diante do que chamou de abuso por parte das autoridades americanas em relação ao policial brasileiro, haverá resposta equivalente por parte do governo brasileiro.

 

“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula.


 

O presidente também defendeu que as relações entre os países devem ocorrer de maneira correta e condenou qualquer tipo de ingerência ou abuso de autoridade que, segundo ele, alguns agentes americanos tentam exercer sobre o Brasil.

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos divulgou, na segunda-feira, que um “funcionário brasileiro” foi solicitado a deixar o país. Apesar de não citar o nome do delegado, a publicação indica que se trata do policial federal envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

A comunicação foi feita pela rede social X, na qual o órgão americano detalhou que o servidor brasileiro buscou contornar os mecanismos legais de cooperação jurídica estabelecidos entre os dois países.

 

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.”


 

Ramagem foi preso pelo serviço de imigração dos Estados Unidos na Flórida e libertado dois dias depois, na última quarta-feira. O ex-deputado, que foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), teve condenação decretada pelo Supremo Tribunal Federal no ano anterior, recebendo pena de 16 anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.

 

A condenação resultou na perda do mandato parlamentar de Ramagem, que deixou o Brasil para escapar do cumprimento da pena, passando a residir nos Estados Unidos.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública a formalização do pedido de extradição do ex-deputado às autoridades norte-americanas.

 

Segundo informações da Polícia Federal, a detenção de Ramagem na cidade de Orlando foi consequência de um processo de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. O ex-deputado é considerado foragido da Justiça brasileira após ser condenado por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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