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Lula defende multilateralismo e critica guerras: 'Pobres não podem pagar'

Em Barcelona, presidente brasileiro exige ação coordenada da ONU contra conflitos e pela regulação de plataformas digitais, destacando impacto em populações vulneráveis.

18/04/2026 às 17:23
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu um discurso contundente contra os conflitos armados em andamento e em defesa do fortalecimento do multilateralismo, na manhã deste sábado (18), na cidade de Barcelona, Espanha. O chefe de Estado brasileiro participava da quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia durante sua viagem pela Europa.

 

Em sua intervenção, Lula ressaltou que as consequências devastadoras das guerras recaem de forma desproporcional sobre as populações mais vulneráveis. Ele questionou a lógica de que os mais pobres devem suportar o ônus de decisões irresponsáveis.

 

"O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?", indagou o presidente.


Lula enfatizou que o cenário global já enfrenta desafios significativos e que o mundo não necessita de mais conflitos. Ele listou problemas urgentes que exigem atenção internacional.

 

"Temos mais de 760 milhões de pessoas passando fome, temos milhões de pessoas analfabetas, tivemos milhões de pessoas que morreram porque não tinha vacina contra a covid-19", afirmou.


O presidente brasileiro observou que a atualidade registra o maior número de conflitos armados desde o término da Segunda Guerra Mundial e clamou por uma atuação coordenada da Organização das Nações Unidas (ONU) para mediar essas crises.

 

"Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança", declarou.


Lula teceu críticas diretas a algumas das principais guerras em curso, mencionando explicitamente a invasão da Ucrânia pela Rússia, a destruição da Faixa de Gaza por Israel, e os confrontos envolvendo os Estados Unidos contra o Irã, na região do Oriente Médio. Ele criticou a postura de nações poderosas que agem unilateralmente.

 

"Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento. Nós não podemos levantar todo dia de manhã, e dormir todo dia a noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual são eles membros e fazem parte do conselho", prosseguiu Lula.


O líder brasileiro lamentou a passividade da comunidade internacional e destacou que a efetividade da democracia dentro das Nações Unidas depende do engajamento ativo de seus membros. "Fortalecer o multilateralismo depende de nós", pontuou.

 

Debate sobre a Regulamentação Digital

 

Em outro ponto de seu discurso, Lula abordou o papel das plataformas digitais, criticando-as por contribuírem para a desestabilização política em diversos países. Ele solicitou que a própria ONU assuma a liderança nas discussões sobre a criação de normas e regras comuns a serem aplicadas globalmente.

 

"A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar", afirmou.


O presidente brasileiro reiterou a necessidade de a ONU agir proativamente na questão das plataformas.

 

"Ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode o presidente da República interferir na eleição de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Esse é um tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E o cenário que temos que brigar é dentro das Nações Unidas", completou Lula.


O Fórum Democracia Sempre é uma iniciativa estabelecida em 2024, que congrega os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento em Barcelona, organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, contou com a presença de outros chefes de Estado e líderes, incluindo Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México), além do ex-presidente do Chile, Gabriel Boric.

 

Próximos Compromissos na Europa

 

Após a conclusão de seus compromissos na Espanha, o presidente Lula seguirá viagem para a Alemanha, com embarque previsto para este domingo (19). No país germânico, ele participará da Hannover Messe, considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que nesta edição presta uma homenagem ao Brasil. Em terras alemãs, o presidente brasileiro também terá um encontro com o chanceler Friedrich Merz.

 

A agenda europeia de Lula será encerrada no dia 21, com uma breve visita de Estado a Portugal. Na capital portuguesa, Lisboa, o presidente brasileiro tem encontros marcados com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

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