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Brasil e Alemanha ampliam cooperação em minerais estratégicos e tecnologia

Acordo prevê pesquisa conjunta, inovação e financiamento para minerais críticos e setores de alta tecnologia

21/04/2026 às 13:17
Por: Redação

Durante visita oficial a Hannover, na Alemanha, nesta segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, acompanharam a assinatura de uma declaração conjunta que estabelece novas diretrizes para a cooperação científica e tecnológica entre os dois países no setor de minerais críticos e estratégicos. O entendimento entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha prevê a intensificação de ações conjuntas de pesquisa, desenvolvimento e inovação em toda a cadeia produtiva desses insumos, considerados essenciais para a transição energética e para o avanço de tecnologias emergentes.

 

Os minerais críticos, fundamentais para o funcionamento de dispositivos modernos e para setores como defesa, energia e tecnologia, incluem elementos usados na fabricação de baterias, painéis solares e turbinas. Esses materiais são considerados estratégicos devido ao risco de escassez e à dependência de poucos fornecedores globais. O Brasil possui algumas das maiores reservas mundiais dessas matérias-primas, situação que foi destacada pelo presidente Lula após o encontro bilateral. O presidente ressaltou a importância de promover o processamento no território nacional, evitando a simples exportação de recursos em estado bruto.

 

"Nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer exportações excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities", afirmou.


 

A declaração, também mencionada por Friedrich Merz em coletiva à imprensa, determina que Brasil e Alemanha vão aumentar as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação nas etapas de exploração, extração e processamento de minerais críticos, como terras raras e outros metais e minerais relevantes. Acordou-se que ambas as nações reconhecem a relevância estratégica de investir nessas áreas para ampliar o valor agregado ao longo das cadeias produtivas desses materiais, impulsionando a indústria nacional, fortalecendo a soberania tecnológica e aumentando suas capacidades industriais internas.

 

Entre os compromissos assumidos, está o estímulo à inovação, principalmente por meio de pequenas e médias empresas brasileiras e alemãs, além da implementação de projetos conjuntos voltados à pesquisa, desenvolvimento e inovação para gestão responsável de minerais críticos. O acordo também prevê o intercâmbio de cientistas e técnicos de pós-graduação entre os dois países. Para viabilizar a colaboração, está prevista a elaboração, ainda em 2026, de um novo programa bilateral de financiamento direto para instituições e empresas nacionais de ambas as nações.

 

Parcerias em múltiplas áreas e novos investimentos internacionais

 

Além do avanço na área de minerais críticos, a visita oficial do presidente Lula à Alemanha resultou na adoção de outros 14 atos conjuntos. Entre eles, está um acordo de cooperação bilateral para intensificar o combate a crimes ambientais, como desmatamento, tráfico de fauna e flora, pesca ilegal e mineração não autorizada. Outro entendimento firmado trata da colaboração em inteligência artificial, com foco em aplicações industriais e governo digital.

 

Durante a viagem, foi assinada também uma carta de intenções na qual o governo alemão propõe ampliar o aporte financeiro ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas, sob coordenação do governo brasileiro e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O objetivo é apoiar projetos, estudos e iniciativas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa, além de ações de adaptação aos impactos das mudanças climáticas no Brasil. O banco de desenvolvimento alemão, KfW, deverá destinar cerca de 500 milhões de euros ao fundo.

 

Outros documentos assinados envolvem cooperação nas áreas de defesa, pesquisas em oceanografia, apoio a micro e pequenas empresas, pesquisa aeroespacial, desenvolvimento em tecnologias quânticas, fomento à economia circular, entre outros setores.

 

Esta foi a segunda visita oficial de Lula à Alemanha em seu atual mandato. O presidente foi recebido com honras militares em Hannover, onde se reuniu com Friedrich Merz. O Brasil é um dos poucos parceiros com quem a Alemanha mantém acordo estratégico, o que representa o mais elevado nível de relação diplomática entre países.

 

O chanceler alemão declarou que o fortalecimento dessa proximidade é especialmente relevante em contexto de mudanças na ordem internacional. Ele afirmou que o objetivo é ampliar os benefícios mútuos e expandir a rede de parcerias, destacando o interesse em manter uma relação forte e alinhada com o Brasil.

 

Além do encontro bilateral, Lula participou da abertura da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, que este ano coloca o Brasil em destaque. O presidente também esteve em uma reunião com empresários de ambos os países, ocasião em que defendeu as oportunidades do setor de biocombustíveis brasileiro.

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