LogoNotícias de Palmas

BRB recebe aval de acionistas para ampliar capital em até 8,81 bilhões de reais

Banco poderá emitir ações para reforçar capital social e enfrentar crise após prejuízo bilionário

22/04/2026 às 18:18
Por: Redação

O Banco de Brasília (BRB) teve a proposta de aumento de capital aprovada em assembleia extraordinária realizada na manhã desta quarta-feira, 22 de maio. O principal acionista do banco é o Governo do Distrito Federal, responsável por 53,7% das ações da instituição pública.

 

O plano aprovado prevê a emissão de ações ordinárias e preferenciais até o limite de 8,81 bilhões de reais. Cada novo papel será colocado à disposição do mercado pelo valor unitário de 5,36 reais, em operação de subscrição privada.

 

Segundo estimativas dos dirigentes do banco, essa emissão de ações deverá elevar o capital social do BRB dos atuais 2,344 bilhões de reais para no mínimo 2,88 bilhões de reais, podendo atingir o valor máximo projetado de 11,16 bilhões de reais.

 

O BRB informa que a medida tem o objetivo de garantir uma capitalização compatível com as necessidades da instituição, ampliar a capacidade de crescimento das operações, reforçar a estrutura de capital e fortalecer os principais indicadores prudenciais e patrimoniais.

 

Para efetivar o aumento de capital, os acionistas outorgaram poderes ao Conselho de Administração do banco para adotar todas as providências necessárias à implementação da proposta.

 

Durante a assembleia, também foram confirmadas as nomeações de Nelson Antônio de Souza como presidente do banco, assim como de Joaquim Lima de Oliveira e Sergio Iunes Brito para compor o Conselho de Administração.

 

Desdobramentos da crise no BRB após operação da Polícia Federal

 

O BRB, fundado em 1964, passa por uma crise institucional considerada sem precedentes em sua trajetória. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, revelando um esquema de fraudes financeiras e tornando público o prejuízo bilionário que o banco sofreu ao adquirir créditos do Banco Master.

 

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, encontra-se preso desde o início de março deste ano. As investigações resultaram ainda no afastamento e na posterior prisão de Paulo Henrique Costa (PHC), ex-presidente do BRB, acusado de envolvimento em crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

 

No último dia 20, o BRB comunicou a assinatura de um memorando com a gestora de fundos de investimento Quadra Capital, com a finalidade de se desfazer dos ativos adquiridos do Banco Master. O acordo prevê pagamento inicial à vista entre 3 bilhões e 4 bilhões de reais pelos créditos, além de valores adicionais — 11 bilhões ou 12 bilhões de reais — conforme o desempenho na cobrança desses títulos.

 

Os créditos adquiridos serão administrados e monetizados por meio de um fundo de investimento, do qual BRB e Quadra Capital serão cotistas. Essa operação ainda aguarda análise do Banco Central para ser concluída.

 

“Obviamente, o fundo de investimento a ser estruturado vai ter que performar. A Quadra só fará os pagamentos das parcelas restantes se o fundo obtiver retorno. Ou seja, se ela conseguir receber, dos devedores, ao menos parte considerável dos créditos que o BRB comprou do Master”, disse o economista e professor da Universidade de Brasília, César Bergo.


 

César Bergo, que possui vasta experiência no setor financeiro, avalia que a aprovação do acordo entre BRB e Quadra Capital pode contribuir para amenizar a crise vivida pelo banco público, mas não será suficiente para solucionar totalmente a situação.

 

“É um negócio que possibilita ao BRB respirar um pouco, por aparelhos, mas serão necessárias outras ações. E, por isso, ele está pedindo [mais de 6 bilhões de reais] de empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos [FGC] e sinalizando a intenção de implementar uma administração austera, com uma possível mudança da estratégia de negócios”, finalizou Bergo.


© Copyright 2025 - Notícias de Palmas - Todos os direitos reservados