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Santa Marta recebe conferência internacional sobre transição energética

Evento reúne 60 países para debater estratégias que reduzam a dependência de combustíveis fósseis

22/04/2026 às 19:31
Por: Redação

Santa Marta, na Colômbia, será palco, a partir desta sexta-feira (24), do encontro inaugural internacional voltado ao debate sobre a redução do uso de combustíveis fósseis. Aproximadamente 60 países, além de governos locais, representantes de povos indígenas, comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil, cientistas e diplomatas vão participar do evento que busca fomentar discussões para a construção de alternativas energéticas mais sustentáveis.

 

O principal propósito da conferência é reunir informações e experiências que possam subsidiar a formulação do chamado Mapa do Caminho para a transição global rumo à diminuição da dependência dos combustíveis fósseis. Esta iniciativa, de caráter colaborativo, está sendo promovida pelos governos da Colômbia e da Holanda, e pretende proporcionar um ambiente de discussão horizontal e democrática.

 

De acordo com os organizadores, o evento não tem função de negociação formal, não integra processos oficiais de discussão internacional, nem se propõe como alternativa à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês).

 

A programação do encontro será estruturada em torno de três temas centrais: a superação da dependência econômica dos combustíveis fósseis, a transformação dos padrões de oferta e demanda energéticas e o fortalecimento da cooperação internacional e da diplomacia climática.

 

Está prevista ainda a criação de uma coalizão internacional reunindo países comprometidos em iniciar processos concretos de transição energética, com foco na troca de experiências e em medidas financeiras, fiscais e regulatórias já implementadas em âmbito nacional.

 

Além destes debates, o evento contará com painéis específicos para setores estratégicos, lançamento de um Painel Científico dedicado à transição energética e uma assembleia popular. Os líderes das delegações se reúnem nos dias 28 e 29 de abril, quando haverá a plenária de encerramento da conferência.

 

Articulação internacional e o Mapa do Caminho

 

A proposta do Mapa do Caminho foi apresentada pelo Brasil durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro de 2025, em Belém (PA). Na ocasião, ainda que o tema não tenha sido incorporado ao documento final da COP30 devido à falta de consenso, um total de 80 países manifestou apoio à criação de uma estratégia global voltada ao abandono dos combustíveis fósseis.

 

O cronograma prevê a entrega do Mapa do Caminho até novembro, durante a COP31, que acontecerá em Antália, na Turquia. A proposta está em fase de elaboração, sob responsabilidade da presidência brasileira da COP, que atualmente avalia as sugestões recebidas em consulta internacional pública encerrada em 10 de abril.

 

Desde o lançamento da proposta, países como Austrália, Canadá, México, Noruega e União Europeia reafirmaram interesse em participar das discussões, representando parte significativa do mercado de combustíveis fósseis. Por outro lado, Estados Unidos, China e Índia não manifestaram intenção de integrar o grupo de debate sobre o tema.

 

Mobilização de organizações e impacto regional

 

No Brasil, diversas organizações sociais têm se mobilizado em favor da elaboração do Mapa do Caminho, enviando contribuições que vão desde demandas de povos indígenas até propostas de redes que congregam centenas de instituições ambientais e sociais.

 

O especialista em Conservação do WWF-Brasil, Ricardo Fujii, avalia que a participação da delegação brasileira na conferência de Santa Marta representa uma oportunidade estratégica para o país atuar na construção de consensos internacionais e converter iniciativas globais em ações concretas.

 

“Em um momento de instabilidade internacional, a liderança brasileira pode ajudar a articular esforços formais e informais, fortalecendo a cooperação climática e entregando respostas concretas para a sociedade”, diz Ricardo Fujii.

 

Para as organizações sociais, o protagonismo da Colômbia, integrante da região amazônica, no debate sobre transição energética também tem importância simbólica. Mariana Andrade, coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, ressalta a relevância de a primeira conferência internacional sobre o tema ocorrer justamente na Amazônia, num contexto em que há tentativas de exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

 

"Explorar petróleo e gás na Amazônia terá significativas consequências socioambientais locais e globais, já que o bioma é essencial para manter o equilíbrio climático do mundo. Em Santa Marta, esperamos que os países reforcem a urgência de barrar a expansão da indústria fóssil na Amazônia antes que os danos sejam irreversíveis", conclui Mariana Andrade.

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