Dados apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego demonstram que o número de mulheres inseridas no mercado formal de trabalho subiu 11%. Entre 2023 e o relatório atual, a quantidade de trabalhadoras passou de 7,2 milhões para 8 milhões em empresas privadas que possuem, no mínimo, 100 empregados. Esse aumento corresponde a cerca de 800 mil novos postos ocupados por mulheres.
O levantamento revela ainda uma expansão significativa da presença de mulheres negras, considerando pretas e pardas. Para esse grupo, o número de trabalhadoras ocupadas subiu de 3,2 milhões para 4,2 milhões, representando uma elevação de 29% em relação ao período anterior.
Apesar do avanço no número de empregos ocupados por mulheres, os dados apontam que a desigualdade salarial permanece elevada. Na média, as mulheres recebem 21,3% menos que os homens em estabelecimentos privados com pelo menos 100 funcionários. Essa diferença cresceu em relação ao relatório anterior, quando a defasagem era de 20,7%.
Ao analisar o salário mediano de contratação, observa-se que a distância entre a remuneração de homens e mulheres também aumentou de 13,7% para 14,3%. O estudo considera essa variação estatisticamente estável.
O relatório utiliza informações extraídas da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e contempla cerca de 53.500 estabelecimentos que possuem 100 funcionários ou mais.
O salário médio nacional, calculado pela soma de todos os salários divididos pelo total de trabalhadores, está em 4.594,89 reais. Já o salário contratual mediano, que corresponde ao valor central na escala entre o menor e o maior salário, atingiu 2.295,36 reais.
A representatividade feminina na massa de rendimentos, que corresponde à soma total dos salários pagos no país, aumentou de 33,7% para 35,2%. No entanto, esse percentual segue inferior à proporção de mulheres ocupadas no mercado de trabalho, que está em 41,4%.
Para que a participação na massa de rendimentos se iguale à presença feminina nos empregos, seria necessário elevar os salários das mulheres em 95,5 bilhões de reais.
De acordo com a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, elevar a massa salarial das mulheres em 10,6% teria repercussão no consumo das famílias e contribuiria para a redução das diferenças de rendimento entre homens e mulheres. No entanto, essa medida representaria custos adicionais para as empresas, o que, segundo o órgão, pode gerar resistência à implementação dessas mudanças.
Entre os avanços apontados pelo levantamento, destacam-se políticas internas das empresas, como a ampliação de jornadas flexíveis, concessão de auxílio-creche, implementação de licenças parentais estendidas e adoção de planos estruturados de cargos e salários. O relatório também identifica um crescimento no número de estabelecimentos com níveis menores de desigualdade salarial.
Persistem diferenças entre os estados brasileiros quanto ao grau de desigualdade salarial entre homens e mulheres. As unidades federativas que apresentam menores distâncias são Acre, com 91,9%, Piauí, com 92,1%, Distrito Federal, com 91,2%, Ceará, com 90,5%, Pernambuco, com 89,3%, Alagoas, com 88,8%, e Amapá, com 86,9%.
Por outro lado, Espírito Santo registra a maior disparidade, com 70,7%, seguido do Rio de Janeiro, com 71,2%, e Paraná, com 71,3%.
O relatório é parte do processo de implementação da Lei nº 14.611/2023, que determina a obrigatoriedade de proporcionar transparência salarial em empresas com 100 funcionários ou mais. Essa legislação estabelece mecanismos específicos para ampliar a igualdade de remuneração entre homens e mulheres e adota medidas para combater práticas discriminatórias, além de incentivar a participação feminina no mercado de trabalho formal.