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Tesouro Direto alcança novo recorde de vendas em março com alta de 79,2%

Volume de negociações em março supera todas as marcas anteriores do programa, com crescimento de investidores e predominância de papéis atrelados à Selic.

27/04/2026 às 20:46
Por: Redação

O Tesouro Direto registrou em março o maior volume de vendas mensais desde o início do programa, atingindo 14,79 bilhões de reais em negociações realizadas via internet por pessoas físicas. Esse resultado representa um aumento de 79,2% em relação ao mês de fevereiro, quando as vendas totalizaram 8,2 bilhões de reais, e um acréscimo de 26,5% na comparação com março do ano anterior.

 

A principal razão para esse crescimento foi o vencimento de 7,07 bilhões de reais em títulos atrelados à Selic, que é a taxa básica de juros da economia. Muitos investidores optaram por trocar esses títulos vencidos por papéis do mesmo tipo, ampliando o volume de negócios. O recorde mensal anterior havia sido alcançado em janeiro deste ano, também devido à substituição de títulos que venceram por novos papéis prefixados.

 

O Tesouro Selic concentrou a maioria das vendas em março, respondendo por 52,7% do total de títulos adquiridos. Os papéis indexados à inflação, corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), corresponderam a 24% das vendas, enquanto os títulos prefixados, com juros definidos no momento da compra, representaram 15,1% do volume negociado.

 

O Tesouro Renda+, destinado a quem busca formar reserva para aposentadoria e lançado no início de 2023, foi responsável por 6,5% das vendas do período. Já o Tesouro Educa+, criado em agosto de 2023 para incentivar a poupança voltada ao ensino superior, registrou participação de 1,6% nas vendas totais de março.

 

O apetite por papéis ligados à Selic se deve ao patamar elevado dessa taxa, que estava em 10,5% ao ano até setembro de 2024 e alcançou 14,75% ao ano. O cenário de juros elevados torna esses títulos particularmente atraentes. Além disso, a procura por títulos atrelados à inflação tem se mantido devido à expectativa de alta no índice oficial de preços nos próximos meses.

 

O estoque total do Tesouro Direto chegou ao final de março a 234,42 bilhões de reais, o que representa um crescimento de 3,29% em relação a fevereiro, quando era de 226,93 bilhões de reais, e um avanço de 41,99% se comparado ao resultado de março do ano passado, que foi de 165,09 bilhões de reais. Esse aumento se deve à valorização dos títulos pelos juros e pelo saldo positivo de vendas sobre resgates no último mês, com diferença de 3,78 bilhões de reais.

 

Participação do público e perfil dos investidores

No mês de março, 288.041 novos participantes aderiram ao programa, ampliando o universo de investidores cadastrados para 35.097.988 pessoas. Ao considerar o período dos últimos 12 meses, houve crescimento de 9,78% no número total de investidores. Aqueles que possuem operações em aberto, considerados ativos, chegaram a 3.418.225, representando um aumento de 15,97% em relação ao mesmo período do ano anterior.

 

O comportamento do investidor de menor porte pode ser observado pelo expressivo volume de operações de até 5 mil reais, que responderam por 73% das 1.224.134 vendas realizadas em março. Entre essas movimentações, as aplicações de até 1 mil reais representaram 45,6% do total. O valor médio por operação no período ficou em 12.083,06 reais.

 

Em relação ao prazo dos títulos adquiridos, as vendas de papéis com vencimento de até cinco anos corresponderam a 58,2% do total. Os títulos com prazo entre cinco e dez anos representaram 20,9% das vendas e, da mesma forma, os títulos com vencimento superior a dez anos também somaram 20,9% do volume negociado.

 

Como funciona a captação de recursos pelo Tesouro Direto

Lançado em janeiro de 2002, o Tesouro Direto foi desenvolvido para ampliar o acesso de pessoas físicas à aquisição de títulos públicos federais, permitindo a compra diretamente do Tesouro Nacional pela internet, sem a necessidade de intermediação de instituições financeiras.

 

Para operar no programa, o investidor deve pagar uma taxa à B3, a bolsa de valores brasileira, que é descontada nas movimentações dos títulos. A venda desses papéis funciona como uma alternativa do governo para levantar recursos destinados ao pagamento de dívidas e outras obrigações. Em troca, o Tesouro se compromete a devolver o valor aplicado acrescido de rendimento, que pode estar atrelado à taxa Selic, índices de inflação, câmbio ou uma taxa fixa definida na emissão, no caso dos títulos prefixados.

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